13 de dezembro de 2009

menos com rimel

Dos tempos da Grécia antiga até tempos recentes, acreditava-se que beleza e feiura não existiam. Esses conceitos dependiam da cultura de uma época. Há poucos anos atrás uma equipe de cientistas de algum país que não lembro, provavelmente europeu, chegou à conclusão de que beleza existia sim. Era uma questão biológica que poderia ser definida independente da cultura. Pra mim, não é uma questão cultural nem biológica, mas simplesmente de contexto. Drauzio Varella, por exemplo, seria lindo no desfile dos bonecos de Olinda. Ronaldinho Gaucho não seria feio na lavagem de Itapuã. Se as meninas prestassem mais atenção a isso, acho que gastariam menos com rimel.

interessa me

Não sei porque o Fantástico ainda existe. Já escrevi alguma coisa engraçadinha sobre o tema no Twitter. Poucas palavras...
Eu não gosto, por exemplo, quando Zeca Camargo fala coisas do tipo: "vamos falar agora sobre um assunto que interessa a mais de 30 milhões de brasileiros"
E alguém grita da cozinha: "não muda de canal!"

Sundown Kids Uva

Hoje talvez tenha sido um dia divertido para Guilherme, meu sobrinho de 2 ou 3 anos, I'm sorry.
Ele derramou um frasco quse todo de bloqueador solar sobre o corpo e aproveitou pra beber um pouquinho. Ok, tudo que ele vê pela frente ele coloca na boca. Mas, nesse caso, dá para entender porque era sabor uva.
Só uma criança de 2 ou 3 anos para me fazer entender porque uma empresa resolve produzir um bloqueador solar sabor de alguma coisa.
Ele não reclamou.

contagioso

Há musicas que decidem morar em nossas cabeças. Elas entram e não querem sair mais. Todos os dias elas fazem de nossos neurônios bateria e cordas de guitarra.

Pra quem quiser ouvir e baixar>> aqui

11 de dezembro de 2009

sem permissão

O colar da menina caiu na praia e o mar levou. Era uma noite fria de reveillon na praia de Stella Maris, há dois ou três anos atrás.
Eu, percebendo o olhar meio aflito da criança, me virei e disse: deixa pra Iemanjá!
Imediatamente a menina e a avó, que tinha ares da rainha Elizabeth II, voltaram-se pra mim e deram um sorriso curto daqueles que quebram a tensão da região entre as sobrancelhas. Olharam-me confusas, sem saber se era normal Iemanjá levar de vez em quando, sem permissão, jóias de meninas ricas, ou se aquilo significava um atentado natural ao direito soberano à propriedade privada.
A menina, talvez querendo conformar-se, ainda repetiu baixinho pra si: deixa pra Iemanjá!
Olhei para o céu para ver os últimos fogos enquanto a menina arrastava os pés descalços na areia fofa de volta pra casa.

ainda não

Eu não morri.

26 de novembro de 2009

and the oscar goes to...

Download de filmes grátis
Downloads Fácil
De Graça é Mais Gostoso
Baixe Turbo Downloads
Achei Download
Tudo Gratis
Free Download
Central Expert Downloads
FILME JÁ !!! Downloads de Filmes
Linka Grátis Downloads
Baixe na Moleza
Fonte de Downloads
Puxando.com - Filmes Grátis para Download
MUAMBEIROS DOWNLOAD
Download filmes completos com trilha sonora grátis
Copia Filmes
Filmes de graça Up!
Download de Filmes
Stop FilmesDown
Fácil Downloads
Baixe Com Rapidez
Download de Filmes Piratas de Plantao
BAIXANDO FILMES Filmes raros e antigos de graça na internet
Tem Aki Filmes
Uai Sô Download
Baixar Legal Downloads
Super Downloads Completos
DownFree Downloads

19 de novembro de 2009

um pouco de mundo ou...

... iniciação em teoria política.

"O mundo que foi projetado torna-se uma utopia, que se consolida a cada aceitação silenciosa a que nos sujeitamos todos os dias.A verdade é que a justiça do mundo não depende de modo objetivo do regime político sob o qual vivemos, ou de quanta informação chega até nós. A igualdade é feita por pessoas, pelos seus interesses, e por suas diferenças. O mundo não é uma mentalidade só, e não poderá ser enquanto cada um não ceder uma parte de seus desejos e aceitar algo completamente diferente. E, até que isso aconteça, as revoluções e lutas ideológicas realizadas até hoje terão sido em vão".


Esse é um trecho do primeiro texto político de Tai. Ela acha que "fracassei miseravelmente". Eu acho que ficou massa.

sobre os cabelos alaranjados de Julia

Julia tinha asma. Julia morava numa bola gigante e transparente de vidro. Alguns a chamavam de redoma. Mas Julia ententia que fosse uma bola.
Os cabelos de Julia eram finos e batiam no chão. Loiros. Quase castanhos.
Pela janela, entravam raios de luz. Fracos raios de luz que também batiam no chão, do lado de fora da bola. Pela janela, Julia via algum momento da vida. Algum movimento da vida. Alguma metada da vida. A vida pulsava no coração de Júlia, apesar da asma. Havia brinquedos no quarto de Julia. Cada um, preso em sua caixa original. Era preciso proteger da poeira e do desgaste. Em alguns momentos, Julia saia da bola. Saia, mas sempre voltava. Dentro da bola, Julia se sentia segura. Tinha medo de morrer, de asma. Julia tinha medo de morrer e de viver, de modo que o medo era uma forma de não viver sem morrer.
Os cabelos de Julia batiam no chão e da janela Julia vislumbrava sempre um momento, um pedaço, um reflexo do mundo.
Julia via sempre pedaços, apesar de seus cabelos grandes.
Um dia Julia entendeu que a janela de seu quarto era pequena. Que seus cabelos eram pequenos e que só os pedaços não faziam muito sentido.
Pela primeira vez em sua vida, Julia deixou que os raios do sol se derramassem por seu pálido rosto.
Era verão.
Julia fechou os olhos e sorriu.
A vida não era um pedaço de sua janela. Nem seus cabelos eram tão grandes e loiros assim.

15 de novembro de 2009

e nem chegou o carnaval...


em 15 de novembro de 2009.
Pra quem busca desvendar o substrato psíquico comum de natureza suprapessoal ou o inconsciente coletivo, pelo menos dos internautas brasileiros, segue a dica:

Bruna Surfistinha = bunda
Viviane Araújo = bunda
Futebol ao vivo = pelada
Campeonato Brasileiro = pelada
Juliana Paes = bunda
The Sims = dentro do quarto pode haver uma bunda
Jogos de futebol = pelada
Jogos de corrida = uma possível bunda nas arquibancadas
Lady Gaga = bunda
Jogos de carro = uma loira bunduda dando a partida
.
Em suma, uma bunda e, de preferência, pelada.

7 de novembro de 2009

quase tarde

Alice morreu ontem. Era uma tarde morna. Morno o tempo, morna a água. Seu corpo boiava sobre a água salgada. Mas ainda estava viva. Gostava de boiar, esticar braços e pernas sobre as águas mornas do mar e deixar que os raios do sol, agora fracos porque já passava das quatro, tocassem levemente sua face. Na havia ondas. Era uma tarde tranqüila, um mar tranqüilo. O corpo continuava boiando, pra lá, pra cá. Uma sensação de paz preenchia seu coração. Naquele dia, água salgada não entrou em seu nariz. Até a temperatura do vento estava ideal. E ela sentia que era delicioso sugar o vento como se sugasse toda a vida do mundo. Em sua cabeça não havia mais preocupações. Todas já haviam se afogado. Alice flutuava nas águas e, de longe, só viam sua testa, a ponta de seu nariz e dos dedos dos pés. Alice tinha os cabelos ruivos que também não perdiam a oportunidade de boiar. Alice girava enquanto o sol vagarosamente se punha. Não eram cinco. Mas já passara das quatro. Era o horário que ela mais gostava. Um sol que não queimava, apenas lhe trazia uma gostosa sensação de energia. Tudo estava estranhamente perfeito naquele dia. Daria um quadro, um quadro no quarto de Alice. No céu, poucas nuvens. Alice sempre apreciou o horizonte mas, naquela tarde, que não era tão quente nem tão fria, que não era repleto sol nem lua, a menina não quis olhar o infinito. Continuava dormindo sobre as águas. Alice não morreu de afogamento. Não morreu da ingestão de água salgada. Não morreu de susto ao imaginar que seria devorada por tubarões. Não morreu de insolação. Alice morreu um dia antes de fazer 19 anos, no dia 29 de novembro do ano 2039 após o nascimento de Cristo. Os médicos que fizeram a autópsia chegaram todos a uma única conclusão. Motivo do falecimento: uma sensação profunda e quase inexplicável de paz.

4 de novembro de 2009

a diferença

Descobri que uma das principais diferenças entre eu, 29, e minha prima,13, é que ela adota duas maneiras práticas de resolver qualquer conflito. Uma é dizendo "sei lá". A outra é justificar qualquer atitude com o "estava a fim". São duas maneiras práticas de relaxar o cérebro e sentir o gostinho da adolescência rebelde. Se um adulto toma uma decisão irresponsável, geralmente vai desenvolver uma teoria científica e reunir argumentos dos mais diversos ramos do conhecimento para que, de posse de uma concepção holística à beira do transcendental, cujas raízes se encontram nas mais profundas teorias psicológicas behavioristas, cognitivas e evolucionistas, apresente uma justificava razoável. Se o adolescente desconstrói o mundo em sete dias, vai apenas dizer que fez porque estava a fim. Mas se engana quem pensa que esse argumento é inconsistente. Na verdade é um dos mais complexos. Funciona como aqueles provébios chineses do tipo "a água sustenta o barco. a mesma água afunda o barco". Ou um lição cristã, do tipo: " o homem colhe o que planta". Ou seja, são apenas algumas palavras mas que guardam alguma sabedoria . Agente sabe, sempre ouviu, mas morre e não aprende. Quando um adolescente diz que fez porque estava a fim ele não está negando sua capacidade de raciocinar e de apresentar argumentos coerentes e sólidos. Ele não está alienado de seus próprios motivos. Ele não está incapacitado de associar pensamento, sentimento, comportamento, causa e efeito no universo. Mas é verdade também que o adolescente, como o próprio adulto não tem consciência do motivo de todas suas ações. Ele responde que estava a fim por duas razões: 1. desinteresse em filosofar. 2. capacidade extraordinária de sintetizar. No momento em que o adolescente percebe que as causas para aquele determinado comportamento são as mais diversas (família, religião, genética, impulsos inconscientes, novelas, professor, amigos, a lua, internet, namorado(a), cotação do dólar, conflitos na faixa de Gaza, globalização, guerra de traficantes no Rio, desemprego, Twitter, comportamento das celebridades, destino, entre outros) ele simplesmente e, inteligentemente, se poupa de uma desnecessária e penosa elucubração filosófica que, por fim, só lhe causaria desgaste mental além de não garantir a devida absolvição. Tomando um caminho mais prático e sensato, o adolescente simplesmente sintetiza com um "tava a fim". Esse tava a fim, como o provérbio chinês, não é vazio, por ser curto. Ao contário, possui um significado complexo e profundo, justamente por abranger aquele conjunto de eventos que influenciam o comportamento. A diferença é que nessa situação, a outra pessoa é que tem que se dá ao trabalho de compreender.
'Sei lá" também é gostoso de se pronunciar. Experimente. Da próxima vez que seu chefe lhe perguntar porque ele deveria acatar a sua sugestão de demitir 50% do pessoal e investir naquela tecnologia que custará 50 bilhões de dólares, você responde com um simples "sei lá". Vale para a sogra, para o cônjuge, pro vizinho chato, ou para aquela pessoa que é a autoridade máxima em sua vida. Afinal, não somos a wikipédia para saber de tudo nem um transação bancária para ser on-line. A atitude do adolescente de dizer "sei lá" não significa burrice, demência, autismo nem DDA (distúrbio do déficit de atenção). É apenas uma forma de manifestar o que realmente somos, seres humanos, e não o banco de dados da Receita Federal.

30 de outubro de 2009

tempo

quando o sol se pôs naquela tarde, naquele instante em que os raios fugiram do céu e as nuvens, antes rosadas, começaram a ficar escuras, tive a sensação de que o tempo, ele próprio, havia morrido.

27 de outubro de 2009

ser ou não ser

Já é a terceira vez esse ano que confundo pobre com mendigo. Primeira vez um rapaz perto do meu trabalho me chama na rua, eu paro meio assustado e ele me pergunta as horas. Na segunda vez, uma mulher jovem com um menino no braço para ao meu lado numa cafeteria, eu puxo uma moeda, mas era uma babá. Hoje, quando eu estava voltando pra casa do trabalho, um rapaz me chama na rua pra que eu diga pra mulher dele - porque não estava acreditando - que aquele orelhão pequeno é, evidentemente, para as pessoas que têm dificuldade de alcançar o maior. Minha dúvida é se esse é um problema isolado meu de percepção social, ou se a situação na Bahia está tão crítica que está difícil mesmo de distinguir pobre de mendigo.

26 de outubro de 2009

Amelie

"Estas canciones me recuerdan a mi infancia... recuerdo con claridad el jardin gigantesco que ami edad me parecia mas grande aún.. dias inolvidables... dias magicos sin ninguna malicia ni perversidad, me acuerdo que un viejo amigo de mis padres se sorprendio como era mi familia y decidio filmarnos y puso estas canciones que yo jamás olvidaré... nostalgia es lo que abunda en el fondo de mi al escuchhar estas magicas canciones... " (69EsKimg69)

Para ouvir: aqui e aqui

7 de outubro de 2009

é hora


e me interessa a forma como formamos hábitos, como sofremos condicionamentos, entramos na rotina e nos tornamos, por vezes, tão robóticos no andar e no pensar.
mundo organizado
um papel a cumprir

podemos olhar de outra forma
sorrir de outra forma
tocar de outra forma
um tom de voz diferente

segundos de silêncio
quem é o outro?
o que conhecemos?

perceber.

abriu-se uma janela.
vento, vento, vento.
é hora de voar!

2 de outubro de 2009

olympic games 2016







Viva o Rio, viva o povo brasileiro!




26 de setembro de 2009

diferença

Semana passada, sentado num banco de shopping, vi que havia uma diferença entre os adolescentes coloridos e eu.
Era o tempo.
A crise não é só dos 30. Penso que seja também dos vinte e nove para aqueles que têm a mania de sofrer por antecedência. O que fiz da minha vida? acho que não muita coisa.
Quando tinha 19 anos assisti a uma palestra de Roberto Shinyashiki na qual ele dizia que a vida muda a partir do momento em que você muda. E de que não importa onde você está ou de onde veio, mas onde você quer chegar. Nunca mais esqueci essas palavras. Na última conversa de varanda com meu avô, presibítero da Igreja Presbiteriana, eu com 22 anos, ele me disse pra eu fazer um voto. Até hoje não fiz.
Quero comprar minha casa, de frente pro mar.
Não sou mais adolescente, que o diga o tempo.

24 de setembro de 2009

o que pode ser

O menino entrou no buzu e começou a pregar o Evangelho. Na metade da pregação, citou a passagem bíblica que diz que "o diabo vem para roubar, matar e destruir". Mas não se contentou em citar a Bíblia ao pé da letra. Percebendo que a população entenderia melhor caso usasse uma palavra que estivesse mais integrada à cultura popular baiana, à linguagem e ao cotidiano do povo, disse que o diabo vinha para "fazer a bagaceira". Naquele instante, os olhos dos passageiros, outrora sonolentos e perdidos pelas janelas, se arregalaram e miraram o menino.
Mas o que é bagaceira na bahia? Segundo os programas de tv sensacionalistas da região, bagaceira pode ser:
a) um cadáver estendido na rua
b) um acidente grave de trânsito
c) um tiroteio com mortos e feridos
d) desabamento de casas pós chuva
c) briga de vizinho com faca e garrafadas
d) briga de carnaval ou de estádio de futebol com muita pancadaria e sangue
c) todas as alternativas juntas
d) outros

Ainda bem que a Bahia é de todos os santos.

22 de setembro de 2009

viva


Sábado, 26.09.09, minha sobrinha Beatriz completará 8 anos. Viva Beatriz!

no gingado

Quando Simone chegou a Salvador, ela disse que teve a sensação de que a cidade dançava. Sim, sim, Salvador dança.
E até hoje acho engraçado os meninos, aqueles pretinhos e magricelos, e até as meninas também. Porque eles dançam ao som de qualquer coisa. No batido do martelo, na goteira da chuva, no assoviar, em tudo que tiver compasso, o baiano mexe a cintura e faz o gingado. E é sempre uma mistura de corpo e som, de espaço, de paisagem, de cores. A Bahia se mistura com o povo, que se mistura com a música, que se mistura com o corpo, que se mistura, se mistura, se mistura... E aparece sempre aquele gringo desengonçado, branquelo de olhos azuis, que tenta acompanhar o requebrado, mas fica tão desordenado que faz graça. Mas o menino do gueto não. O menino do gueto quando bate a lata incorpora a música, transpira som e ritmo. É no gingado afro. É no gingado dessa Bahia.

17 de setembro de 2009

num tom de maresia

Um dia eu vou escrever sobre a Bahia. Sobre esse terra pra onde me mudei em 8 de janeiro de 2000. Há alguns anos venho pensando em fazer isso, mas nunca me sinto preparado por alguns motivos: a) superar os preconceitos. b) tomar o distanciamento necessário para analisar a cultura c) me integrar mais ao povo e aos costumes para não só saber, mas sentir o que é ser baiano. O problema é que parece que o tempo não resolve isso. Aliás, o tempo tende a agir contra. Se eu escrevesse sobre a bahia após um ano morando aqui, não teria a dimensão do que é a Bahia. Se eu demorar décadas para escrever, talvez esteja tão integrado que não perceba os contrastes. Em que momento então para que o tempo não seja um traiçoeiro? Hoje, me sinto impelido a escrever. Sem amor, sem ódio. Porque parece que falar sobre a bahia será sempre num tom de maresia. Há aqueles que confundem a Bahia com um shopping center ou uma boate na olra. Não, não. A Bahia mora na Ladeira da Montanha, na cidade baixa esquecida. No olhar dos pretos, pobres carentes de dignidade. Nos batuques, no gingado da capoeira, na cintura dançante da mulata. A bahia se esconde nos fantasmas da rua Chile, na menina do curuzu que namora o italiano, nas canoas da bahia de todos os santos, no colégio central, no plano inclinado, nas pedras do pelourinho, na favela dos alagados, nos buzus lotados, na ponta de humaitá, nas sombras dos arvoredos da Ribeira, nos vendedores gritantes da baixa dos sapateiros, nas águas mornas da Lagoa do Abaeté, nas ladeiras e ladeiras...
Mas tenho que parar por aqui, não é agora que vou escrever sobre a Bahia.

9 de setembro de 2009

quem é que sobe a ladeira?

Jogo da seleção brasileira contra o Chile em Salvador pelas eliminatórias da Copa do Mundo 2010. Ingressos a R$ 100,00 expulsando os pretos e pobres. Nas arquibancadas, seres brancos e bem aparentados. Procurei um neguinho do Curuzu mas só achei descendente de francês. São Pedro se indignou e largou o doce (chuva). Como a maior parte da população baiana vive entre a pobreza e a miséria, com rendas que variam de zero a um salário mínimo, seria preciso, para tomar posse de um ingresso, permanecer de uma semana a quinze dias sem praticar hábitos alimentares. Mas só valeria se as arquibancadas fossem comestíveis.

8 de setembro de 2009

futuro de sabão

O governo brasileiro anunciou nessa segunda-feira que irá comprar uma barra de sabão amarelo e dividi-lo ao meio. Sobre cada banda, será fixado um prego banhado a ouro, 3 cm cada. uma banda será colocada numa reserva indígena, voltada para o nascer do sol. a outra, será guardada numa caixa de sapatos embaixo da cama da primeira-dama. as barras não serão tocadas durante 258 dias. ficarão ali, em pleno repouso. passado esse período, as barras serão transportas para um outro ambiente onde será verificado o efeito da gravidade sobre os pregos. ou seja, se buscará saber se houve afundamento ou não dos pregos e, em caso positivo, em que medida. após esse experimento, serão realizados mais 200 da mesma natureza, com períodos de repouso diferentes, num espaço de tempo total de 25 anos. a partir desses experimentos será possível obter dados mais precisos sobre o movimento dos pregos em barras de sabão. estudos feito esses são importantes porque o movimento dos pregos nessas condições está intimamente ligado ao crescimento econômico do país, à geração de empregos e, consequentemente, a aspectos como a dívida pública, juros, câmbio, balança comercial, superávit fiscal, desmatamento da mata atlântica e o pré-sal. as informações oriundas dos experimentos permitirão, assim, que se enxegue com mais clareza e fidelidade os diversos aspectos de nossa realidade econômica. Para se chegar a tais resultados será necessário um investimento de R$ 50 bilhões. Esses recursos serão garantidos após aprovação do projeto de lei que aumentará a carga tributária para o equivalente a 100% do PIB. Pesquisa que mede a popularidade do presidente, feita após anúncio do projeto de lei, indica que houve ganho para a imagem presidencial. A população nas ruas está confiante, porque acredita que haverá retorno no futuro em termos de saúde, emprego e educação.
Analistas independentes temem que o investimento seja alto demais. Físicos dos quatro cantos do planeta se pronunciaram, afirmando categoricamente que não existe no campo da Física conhecimento algum de que o afundamento de um prego na barra de sabão afeta o crescimento econômico de um país, ou qualquer outro aspecto econômico. Um dos físicos, chegou a classificar a série de experimentos com um "aspecto interessante do folclore brasileiro". Outros, mais duros, classificaram como um "verdadeiro desatino", "um projeto insano das autoridades brasileiras", um "ultraje à ciência", uma "anarquia política".
O governo brasileiro se defendeu, alegando que esses analistas não conhecem de perto a nossa realidade e que, por isso, seus comentários são meramente teóricos e superficiais. Um pesquisa realizada pelo Fantástico, juntamente com a opnião das platéias de Fautão e Gugu juntas, indicam que o povo, em sua maioria, apóia o governo.
Questionado sobre a relação entre as leis de física, que regulam o movimento dos pregos, e as leis econômicas, o deputado que apresentou o projeto de lei brincou com o jornalista, dizendo que há mais leis de física entre o povo e o congresso do que sonham os doutores mundo a fora.
A análise geral indica que o governo está confiante. Esse experimento, disse o deputado José, "representa a porta de entrada para um futuro brilhante de nosso país"

3 de setembro de 2009

solicitação

Venho pensando ultimamente em solicitar à American Psychiatric Association que inclua em seu manual de transtornos mentais uma categoria diagnóstica que eu chamaria aqui de "transtorno de deslocamento interplanetário". Esse transtorno seria basicamente caracterizado por uma abrupta e momentânea sensação de não pertencer ao planeta em que se habita.
Por exemplo, se você (cidadão exemplar, pagador de impostos até a quarta geração, respeitador das leis ambientais, trabalhador, dono-de-casa, que respeita as leis de trânsito, combate o mosquito da dengue, luta pelos ideais democráticos, que está em dúvida se o futuro do Brasil está na Record ou na Globo, não sonega R$ 0,01 no seu I.R, dirige com cinto de segurança e sóbrio, paga pedágio, se protegeu devidamente de todas as gripes zoológicas, dentre outros méritos) estiver tomando um cafezinho na padaria de seu Manoel e, ao ouvir uma notícia feito aquela sobre o filho do presidente do senado que convenceu Juiz a censurar Jornal que denunciava os podres de sua família, experimentar uma sensação (psicológica, emocional ou espiritual) de deslocamento momentâneo rumo a outro planeta qualquer, você poderia ser classificado como portador desse transtorno.
Se tudo lá fora anda de vento em popa, o desajustado deve ser eu mesmo. Indústria famacêutica de olho...

2 de setembro de 2009

porque é gostoso ouvir

Existem coisas, verdadeiramente, que gostamos de ouvir. Dá uma sensação gostosa no cérebro. Provavelmente estimula a produção de serotonina. Pra mim, um exemplo clássico é quando um parlamentar, voltando-se desconcertado em direção ou contra um jornalista, no intuito de justificar a inércia que lhe é natural para os assuntos que não lhe agregam valor $, diz que "é preciso aprofundar a discussão", ou "analisar de forma mais profunda". Vamos aprofundar então.

1 de setembro de 2009

dois pontos

A terra gira em torno do sol assim como eu acredito que meus neurônios girem em torno de alguma coisa dentro de minha cabeça. Pensar pra mim é assim. Fico tonto e dá até dor de barriga. Tv, internet, jornal, professor, chefe, vizinho, irmã, mãe, cachorro, sobrinha, deputado, Jornal Nacional, Rede Record, msn, blogs, English, buzu, engarrafamento, chuva, sapato, compromisso, cliente, papel...Como um espermatozóide conseguiu se transformar em algo certamente complexo que consegue assimilar e processar tudo isso? Ultimamente venho pensando que um homem deve ter um objetivo, e nada mais. A vida como dois pontos, o de partida e o de chegada, com as filosofias devidamente guardadas na estante. Não me importa Descartes, se o pensamento está dentro ou fora, mas que chegue a algum lugar. As coisas por aqui precisam fluir, como as águas do mar. Talvez fosse melhor que a espécie humana fosse feito aqueles outros animais que não pensam. Ou, um simples vegetal. Como tudo seria tão harmonioso. Homem pensante, quão erráticos são teus pensamentos! Do lado de fora da janela, falsas polêmicas, problemas fictícios, um tal de joga o barro pra ver se cola. A barriga cheia de demagogia, a boca cheia de retórica, as mãos...ah...as mãos...me desculpem os misericodiosos, essa pedra eu atirarei.
Que direi aos alienígenas sobre esse admirável planeta azul? Vamos plantar uma sementinha de esperança. Regue, cuide, proteja. Quanta estupidez.

5 de agosto de 2009

fragmentos

Tinha uma velha fumando cachimbo na entrada da escola. Lembro que era uma velha bastante velha porque a cara era de velha mesmo. Bem, talvez fosse uma velha mal cuidada. Naquele tempo não havia tanta coisa pra se botar no rosto como existe hoje em dia. O ano era por volta de 1985 D.C e eu deveria ter uns cinco ou seis anos. O muro de Berlim ainda tava de pé, o Brasil ainda sonhava com o Tetra, meu pai com um video cassete (quantas cabeças?) e com a casa própria, e eu assistia Balão Mágico. Tínhamos uma linha telefônica e uma televisão 14" colorida. Os políticos espalhavam outdoors com mensagens de um futuro próspero. Bem, 2009 - 1985 = 24 anos depois e a cidade, Santa Cruz do Capibaribe, pequeníssima e feia, parece nunca ter acreditado nas promessas. Havia um zarolho que morava em frente de casa, o homem lá da venda da esquina, e alguns amigos de infância. Havia uma menina, gorda e com aspecto de fóbica, que sempre estava na janela de casa quando eu ia pra escola. Finais de semana eu comia rapadura que um amigo de meu pai trazia. Naquela época, inspirados pelo modelo cultural de colecionador de enciclopédias inúteis, descobríamos que o nome científico do sapo cururu era Bufo Ictericus e que o ser humano possuia uma cabeça, dois braços, duas pernas e uma coluna vertebral. Uma certa noite, meu pai me chamou para vê-lo hastear a bandeira nacional em frente à agência bancária onde trabalhava. Até hoje faço um esforço almático (quer dizer, de alma) para, no mínimo, compreender o significado desse símbolo como um animal vertebrado, e com um ser histórico e social. Foi por esse tempo que descobri o radinho de pilha e, consequentemente, Paralamas do Sucesso. Até hoje, apesar dos cds, dvds, true HD, nada foi tão bom quanto descobrir algumas músicas num radinho de pilha grudado no ouvido, com seis anos, esticado numa rede. Meu pai queria sair da cidade talvez na intenção de figurar como um nordestino menos feio e menos pobre. Mudamo-nos. Com sete anos, eu entrava numa nova escola. Novas amizades, uma casa própria e maior, uma rua enorme de barro pra correr e, um pouquinho mais à frente, um Atari e um vídeo cassete. Mas a imagem da velha eu nunca esqueci. Ela nunca falou comigo nem eu com ela. Ela ficava, repito, sentada na escada que dava entrada para a escola. Sempre segurando seu cachimbo e soltando aquelas bolas de fumaça. Aquela senhora era a velhice. A velhice em pessoa. O olhar era quebrado, um pouco amarelado, um pouco profundo. Não sei se esses detalhes são exatamente memórias reais ou coloridas com a imaginação. Mas não foi só a velha que marcou minha memória infantil. Foi a velha e o poço na casa da vizinha. O poço era fundo que não se via o fim. Era um poço feito aquele do final do filme Could Mountain. Só que eu não via água, só um escuro. Às vezes, me pergunto porque essas imagens nunca se apagaram de minha lembrança.

26 de julho de 2009

amazing

nasci na ucrânia em 1901, filho de um operário e de uma atriz polonesa em decadência
aos 14 anos fui varrido para a Inglaterra, para trabalhar na indústria têxtil
aos 18, fui morar na Alemanha porque tinha interesse em comprar um fusca
participei da I guerra mundial. efetuei algumas baixas
aos 42 fui confundido com judeu e quase fui parar num campo de concentração
me deportei para New York, onde escrevi um livro sobre o terror nazista
aos cinquenta anos, ensinava nas principais universidades americanas
dei palestras around the world onde ensinei às pessoas a serem felizes
pouco tempo depois, comprei um notebook e fui morar nas montanhas.
aos 60 anos, comprei um balão e dei 3 voltas ao redor do planeta
numa dessas viajens, tive a oportunide de entrar em contato com extra- terrestres e de contribuir com o desenvolvimento da tecnologia aero espacial
passei 10 anos no Brasil, onde ensinei aos brasileiros a perder tudo, menos o game
fui protagonista de um filme chamado: no topo das calotas polares, eu sorri
fui um ávido defensor das baleias e tartarugas marinhas
fundei uma ong na amazonia
plantei um pé de eucalipto
em minha tese de doutorado, defendi que a gema do ovo não faz mal à saúde, definitivamente
colaborei com a campanha de Obama porque sou adepto da democracia racial
gosto de andar de bicicleta porque é mais saudável
com 102 anos, construi uma página na internet, coloquei uns videos no youtube e fiquei ainda mais conhecido mundialmente
atualmente moro na China. ainda não descobri porque. não aquero comer escorpião.

25 de julho de 2009

buy

e eu gostaria apenas de recomendar que comprem flores quando os dias estiverem pálidos, quando as conversas estiverem chatas, quando o download estiver lento, quando a fila parar, quando o beijo não consumir, quando o pc não ligar, quando a resposta demorar, quando a janela não abrir, quando o colchão estiver duro, quando o cartão de crédito estourar, quando a barguilha não fechar, quando tudo aquilo sair de moda, quando o abraço não aquecer, quando a cerveja não gelar, quando o amigo vacilar, quanto tudo embaraçar, quando o seu amor encontrar um outro amor.
compre flores.

23 de julho de 2009

sempre assim, sempre assim

Error (fock you)
You have reached the download limit for free-users. (fock you again) Would you like more? (óbvio)
Get your own premium account now! (Agora não dá!) Instant download access! Or try again in about 5 minutes (5 nãaaaaaaaaaaaaaaao)

já morri de inveja

um coração literário em excelência

no smile

A primeira reação quando vi a foto de minha sobrinha Beatriz, de sete anos, no porta retrato que ela colocou hoje no meu quarto foi: "por que você está com essa cara triste "? Ela ficou calada. Aí, automaticamente eu perguntei de novo: "oxe, por que você está com essa carinha triste meu anjo?" Ela então respondeu que foi porque estava sem óculos. Mas não foi só isso. Convivo com Beatriz desque que nasceu e um rosto de criança triste numa foto não se confunde.
Duas horas depois eu olho para a mesma foto, e agora com o automático desligado, me pergunto: "porque ela deveria aparentar alegria quando não sentia?". Por que sempre temos que parecer felizes? Por que a expressão de tristeza ou desânimo é tão rejeitada em nossa sociedade?
Pensei em duas hipóteses:
1. devido a um sentimento altruísta. Queremos ver as pessoas felizes, então cobramos que elas façam algum esforço para se manterem bem.
2. tem a ver com controle e coesão social. Cara feia é sinal de insatisfação e a demonstração pública desse tipo de sentimento não é bem recebida por aqueles que estão no controle de qualquer sistema social. Seja na escola, na universidade, na empresa, enfim, em qualquer sistema. Culturalmente, aprendemos a cobrar dos outros e de nós mesmos expressão de satisfação porque alguns temem a tensão, o desequilíbrio, o contraste, o questionamento. Cara feia talvez seja a linguagem corporal que mais represente a mensagem de "quero mudança". E mudança pode ser algo arriscado para alguns. Além disso, se eu demonstrar insatisfação posso ser excluído do grupo e o ser humano não suporta rejeição. Então, rostinhos felizes. Se eu não suporto essa pressão para parecer contente, faço questão de montar um perfil num site de relacionamento bem deprê, escancarado. A cara feia, a cara triste, então, simboliza um ato de protesto, de subversão. Algo como dizer: "que se dane sua vontade de me ver feliz."
Ok, minha querida, pode ficar com essa carinha feia mesmo.

assim nem assusta

Talvez uma coisa que eu jamais vou compreender nessa vida, seja a preocupação da mulher com a vaidade depois de morta. Ela disse: "tomei o frasco de chumbinho, mas antes tomei banho, me vesti e me penteei porque não queria ficar uma defunta feia".
Como alguém pode se preocupar com a reação dos outros quanto à aparência justamente numa experiência que não vai viver? Sinceramente acho muito estranho.
Já há alguns anos eu vinha pensando sobre o sentido da vaidade para a mulher. Quanto mais vivo, mais me convenço de que mulher e vaidade são uma coisa só e de que não existiria uma coisa sem outra. Caso ocorra de não haver vaidade na mulher, não existiria mulher, mas qualquer outro tipo de criatura humana. Tubo bem, dizem que não há natureza humana. Pouco importa. Se é um padrão recorrente desde os primórdios da humanidade, inventemos outro nome qualquer. O fato é que de algum modo faz parte. Claro que existe toda uma estimulação cultural, principalmente numa sociedade de consumo, de hipervalorização da estética. Mas creiam, está no gene. Não vou provar. Apenas creiam. Como diria minha avó, "tá no sangue". Parece-me que entre as mais diversas civilizações se consagrou que o homem obteria o que quisesse pela força, pela coragem, pela inteligência. À mulher, colocada num segundo plano, não restaria outra arma a não ser enfeitiçar o homem pela beleza. Se graça nenhuma tivesse, pobre moça. Algumas dizem que se embelezam para si mesmas. Não acredito. Concordo com William James quando disse que o desejo mais profundo do ser humano é se sentir importante. E para que o ser humano se sinta importante é preciso, como já disse John Powell, que ele veja "seu valor refletido no olhar do outro". O outro, sempre vai nos completar como humanos, como existência. Vejo minhas sobrinhas pequeninas se preocupando tanto com a aparência. Se um homem falar que uma mulher é feia ela não vai esquecer isso pelo resto da vida.
Mas não entendo como isso pode ocorrer de forma póstuma. Não entendo. Plenamente não entendo. Pra mim, será sempre um mistério.

amanhã

ontem à noite, pela primeira vez na minha vida, eu senti uma alegria estranha ao abrir minha página do orkut.
parecia que todo mundo tava feliz
As fotos dos amigos não pareciam figurinhas vencidas que serviam apenas para dar clicada. Naquele momento, pareciam rostinhos felizes.
Achei incrível um ser humano se sentir "feliz" diante de uma página do orkut. Foi aí que bateu aquele medo. Será um sinal de que amanhã vou morrer?
Fiz logo logout para afastar a urucubaca e fui ler uns blogs perdidos por aí.
Outro dia eu estava pensando: quando eu morrer, meu blog também vai morrer? Bem, devem existir coisas mais importantes para se preocupar num momento desse. Mas, poxa, eu gosto dele. Gostaria que alguém continuasse. Mas quem seria a vítima? Quem se arriscaria à atividade tão insana?
Bem, aprecio todos os escritores listados em meu blogroll. Mas, e SE eu pudesse escolher um, eu escolheria Aline. Não quero justificar demais. Apenas dizer que ela é inteligente e tem muito coração.

20 de julho de 2009

mãe e pai

conheci uma moça que não tem pai nem mãe. não é o mesmo que dizer "não tem pais". uma coisa é o pai, outra a mãe. absolutamente distintos.
bem, ela não tem pai, nem mãe, nem irmãos. mora com uma tia "emprestada".
primeiro morreu o pai, depois a avó, depois a mãe.
a mãe morreu de edema pulmonar "em meus braços", no caminho para o hospital.
do pai não teve amor. nunca a reconheceu. quando morreu, "não senti falta".
disse que doía muito não ter nome de pai na carteira de identidade. "aquilo, aquele espaço em branco na minha carteira eu não conseguia aceitar".
"quando criança, meu Deus, como eu era boba! eu dizia: mãe, compra um pai pra mim?!".

o que é a vida?
"é para ser vivida a cada instante"

o que é a morte?
"é uma coisa horrível "


forever

e eles inventaram um novo filme, baby

19 de julho de 2009

Pombo, mendigo e francesinho (momento literário)

Gotículas d’água misturadas à areia escorriam por entre as pedras desencontradas que formavam o chão da Praça Municipal. Lama. Nas escadas do antigo Palácio do Governo, um homem de cara embrutecida, encardida, sustentando um bigode preto e espetado, observava com um olhar morto o movimento colorido dos turistas que por ali passavam. Meninos pediam esmolas de dez ou vinte centavos para comer. Uma mulher na calçada, já na esquina da rua Chile, puxava um peito murcho para dar de mamar ao filho grudento e barrigudo. Acho que estava doente. Um velho baixinho, com poucos dentes, mas risonho, vendia picolé. Próximo ao Elevador Lacerda uns hippies vendiam brincos, colares e pulseiras. Fui até próximo à lanchonete. Lá, vi uma italiana gorda, cheia de colares, de bochechas coloridas revirando a bolsa à procura de algo que não consegui descobrir o que era.. Ao lado, duas crianças: uma menina e um menino, ambos francesinhos, branquinhos, loirinhos, de olhos azuis e bochechas rosadas sorviam seus deliciosos sorvetes de cajá e morango, suponho. Do outro lado, sentado, um casal de namorados. Num ato descuidado, a moça deixou sua blusa manchar pelo sorvete. O namorado levantou-se rapidamente a fim de tomar as providências necessárias para reparar o dano, pois a moça ficara muito constrangida com aquela situação. Um menino pretinho, pés no chão, cabelo enroladinho, dentes cheios de cárie, olhos esbugalhados, acompanhava a cena, empinando a barriga para frente que ajudava a sustentar a tabuleta dos queimados que vendia. Ali por perto, uma jovem paulista bem vestida, branca, cabelos lisos, bolsa de couro, perfeitamente maquiada, contava com suas unhas muito bem pintadas seus fios de cabelo enquanto esperava o namorado voltar da lanchonete. Havia turistas de todas as nacionalidades. Italianos, franceses, americanos, japoneses, argentinos, com também do Brasil. A maioria carregando suas máquinas fotográficas para lá e pra cá. Algumas senhoras, algumas, repito, olhavam pra aquelas crianças pobres com olhares meio espantados. Aquelas criaturinhas eram muito diferentes de seus netos... Escorei-me na mureta que dá de frente para a Baía de Todos os Santos. Lá em baixo, os casarões velhos da Ladeira da Montanha, o Mercado Modelo, os ônibus e as pessoas minúsculas. De lá de cima tudo é minúsculo e podemos dominar aquelas águas azuis e tranqüilas sempre lindas e alcançar com as pálpebras a ilha de Itaparica. Soprava um vento ameno de final de tarde. Olhei para a Câmara Municipal e lembrei de um movimento de estudantes há uns dois anos atrás, que protestavam contra o aumento das passagens de ônibus. Enquanto os policias caminhavam rumo à escadaria da Câmara, os estudantes cantavam: “Marcha soldado cabeça de papel, quem não marchar direito vai preso no quartel...” Mas não demorei muito com essas lembranças. Logo, voltei a atenção para o outro lado onde os pombos realizavam sua trajetória de sempre: Vinham até o chão da praça comer depois subiam ao cume do antigo Palácio do Governo. Desciam e subiam. Mais à frente, a praça Tomé de Souza. Lá o chafariz divertia as crianças. Os velhos e os guardas arrastavam seus pés e barrigas. Sentada de pernas cruzadas num banco e com um vestido cor-de-rosa desbotado, uma prostituta velha, magricela e aparentemente faminta, tragava um cigarro fedorento. Quase no centro da praça, o busto do bispo Sardinha. Toda vez que o vejo, me vem à cabeça inevitavelmente a cena cruel de sua morte: há uma versão da história que diz que o bispo fora vítima do canibalismo dos índios. Até hoje não se sabe a verdadeira estória. Mas o fato é que não há dia em que eu pise ali e não me venha à mente a imagem do bispo sendo devorado pelos índios...Na ladeira do pelourinho, sentados em frente à entrada da antiga e primeira faculdade de medicina do Brasil, outros hippies estendiam suas toalhas de colares e brincos no chão. Desci até a Fundação Casa de Jorge Amado. Estava fechada. Voltei até a Praça Municipal e pude contemplar as mesmas cenas de sempre: os turistas coloridos e deslumbrados com as paisagens coloniais, as crianças pedindo moedas para comer, os francesinhos de bochechas rosadas, o desfile das moçoilas do sul e sudeste, os casais de namorados, os pombos subindo e descendo, os desempregados, os peitos murchos das mulheres mendigas, pretos e velhos de olhares perdidos e minguantes e o vento, o vento ameno da Praça que, de alguma forma misteriosa, conseguia tudo harmonizar.

17 de julho de 2009

nada mais

e, por um instante, eu quis o mundo na palma de minha mão.

16 de julho de 2009

não autorizada, via msn


Jota diz:

as pessoas acreditam nos psicólogos?
Patrícia diz:
claro, por que não? e por que não deveriam confiar?
Jota diz:
é que já ouvi algumas pessoas comentando, tipo " ah, mas o psicólogo não resolveu meu problema''
Patrícia diz:
é que as pessoas querem resultados imediatos, não entendem que cada um é singular com caracteristicas diferentes. As pessoas querem receita de bolo. Pensam que somo mágicos, que vamos resolver os problemas delas de um dia para o outro. Mas, não enxergam que, muitas das vezes, os seus problemas não se resolvem por culpa delas mesmas, que não conseguem enxergar o óbvio, mesmo nós psicólogos orientando e mostrando os caminhos para a melhora. É muito complicado...
Jota diz:
você está dizendo que as pessoas têm dificuldade de enfrentar a verdade?
Patrícia diz:
isso mesmo, muita dificuldade, aí fica um impasse, e não conseguem resolver os seus problemas. Aí é mais fácil culpar os psicólogos. É a fuga da realidade e transferência da culpa de ser incapaz em resolver seu próprio problema. É bem menos doloroso quando transferimos a responsabilidade de algo para alguém.
Jota diz:
a maioria de seus pacientes resolvem?
Patrícia diz:
sim, por que não? O meu trabalho é mostrar onde estão errando, e mostro mesmo, mesmo que seja doloroso para a pessoa. Quando alguem começa uma terapia, nos primeiros encontros já digo que irão me amar e me odiar ao mesmo tempo. Às vezes falo coisas que a pessoa não quer ouvir, porque pensa que não está preparada, mas no fundo todos estamos preparados para ouvir aquilo que queremos. É só trabalhar um pouco isso na cabeça.
Jota diz:
acho que as pessoas confundem o papel do psicólogo com o do médico. Vão ao médíco, recebem uma receita, vão à farmácia e pronto.
Patrícia diz:
justamente. Não possuimos fórmulas nem receitas. Mas...............fazer o que...faz parte
Jota diz:
existem problemas dificeis ou pessoas dificeis?
Patrícia diz:
com certeza pessoas. Os problemas são elas que complicam.

14 de julho de 2009

é assim


tem uns homens que jogam dominó toda noite aqui na esquina da rua
eles jogam dominó sob a luz amarela e fraca do poste
toda noite eles jogam dominó
faz dois anos que moro nessa rua
e toda noite eles jogam dominó
são os mesmos homens
sem camisa, falando alto, dando gargalhadas, batendo forte na mesa
usam a mesma mesa, os mesmos bancos, sentam nos mesmos lugares
quase sempre as mesmas estórias
toda noite é assim
não importam as muriçocas nem as crianças correndo e gritando na rua
não importam o jornal, a mulher, o café
toda noite o dominó
ali, parecem não se preocupar com a vida
só com a vida que é diversão, gargalhadas e bons palavrões
tem o alemão, o gordo, o careca, o pequeno e o cabeça branca
sempre os mesmos
no mesmo horário
toda noite eles jogam dominó

8 de julho de 2009

em busca da felicidade


Professor!

estou preocupado. entrei hoje no suporte e consta lá que eu fui REPROVADO por FALTA!! deve ter ocorrido algum erro no sistema, porque tenho certeza que não faltei tanto assim.... como podemos ver isso?

R= Que faltou tanto assim, faltou, mas "como sou gente boa" tinha controlado sua faltas para não ser reprovado por falta. Não sei porque.....Mas, vou procurar saber o que aconteceu. Pelo meu controle voce teve aprovação "direta".
Prof. Tomm

***

Tomm é um de meus professores preferidos. Não por esse motivo, óbvio...É que ele é gente boa mesmo. É um americano gordo e quase rosa que vive há 30 anos no Brasil. Diz que veio pra aqui porque acredita no futuro do Brasil. Ai, ai... Adora a Bahia e acha que fala bem baianês.

Bem, pelo menos de jeitinho brasileiro...

e se


? e se as coisas não acontecerem conforme planejamos ?


3 de julho de 2009

afinal


E me parece agora que o que somos não passa daquilo que existe entre o que queremos ser e o que já nos despedimos de ser.

2 de julho de 2009

that's ok, man

Já disseram que é possível criar o perfil psicológico de um indivíduo através de suas comunidades no Orkut. A seguir, 56 motivos para me internar:
.
Eu abro a geladeira pra pensar
Eu tenho uma teoria
Não fui eu, foi meu Eu lírico
Vejo humor onde não tem
Eu Falo Sozinho
Por que eu sou pobre?
Eu acordo Morrendo de sono
Não sei demonstrar interesse
Metodologia para bobagens
Insanidade Construtiva
Exemplifico expondo os outros
Criticando críticos de cinema
Pânico de perguntas pessoais
Revolucionários preguiçosos
Eu acho legal respirar
Eu olho para o nada
Diálogos metalinguísticos
Eu cresci assistindo pica-pau
Eu tenho preguiça e sou feliz
Só me ligam por engano
Só durmo depois da meia-noite
Eu penso na morte da bezerra
Não entendi mas foi engraçado
Num lembro
Pessoas densas
Quero fugir pro México
Mania de perseguição cognitiva
Sem cerimônia para tragédias
Elaboro planos impossíveis
Depressão pós filme
Surpreendo-me com obviedades
Tenho medo de andróginos
Pânico de movimentos bruscos
Suscito dúvidas quando não deveria
Só durmo com o armário fechado
Rindo, pareço sério
Multi-expressão facial
Eu não escuto sem óculos
Hoje acordei meio literário
Empobreço aliviando dívidas
Sou um fracasso como romântico
Eu analiso as pessoas
Eu Gosto Mesmo é de Cuscuz
Frustro-me na internet
Nunca fiz amigos bebendo Leite
Não sei dar informação
Disfarço assuntos com risadas
Culpando a sociedade
Eu Odeio Fila
Não tenho senso de direção
Pareço Abraham Lincoln
Eu tinha medo do tio QUAKER!
Eu não sei me localizar

30 de junho de 2009

Momento twitter


O povo fica inventando coisa pra gente ter que aprender.
Eu só sei apertar o play do controle remoto.
Menino, a idade chegou, não tenho mais paciência pra isso.

28 de junho de 2009

very beautiful

homenagem realizada por 1.500 detentos do Centro de Detenção e Reabilitação da Província de Cebu, Filipinas, "in memory of Michael Jackson".

27 de junho de 2009

só um pouquinho...


amanhã vou levantar cedo para consertar o mundo.

25 de junho de 2009

do coração


Quando cheguei em casa, vim logo pro micro e acessei meu email no yahoo. A primera notícia que vi foi a de que Michael Jackson estava mal, no hospital, devido a um ataque cardíaco. Cinco minutos depois minha mãe entra no quarto e diz: Michael morreu. Corri pro nytimes pra confirmar. Tava lá. Não sou fã de M.J, nunca fui. Nunca comprei um só cd nem dvd dele (nem pirata). Poucas vezes sentei em frente à tv pra ver algo dele ou sobre ele. Mas duas coisas me vieram automaticamente à cabeça. A primeira, foram lembranças de minha infância, quando uma vez, num aniversário lá em casa, eu comecei a imitar junto com minha irmã os passos dele. Eu achava legal. Eu deveria ter uns 10 ou 11 anos de idade. Não sabia exatamente quem era M.K nem o que ele representava pra música. Sabia que a batida era legal, a dança diferente e que ele era famoso porque passava na televisão e as pessoas estavam sempre comentando. Apesar das turbulências em sua vida, ninguém pode negar que Michael foi uma lenda. E uma lenda, é uma lenda. A segunda coisa que me veio foi um post que escrevi há algumas semanas em que falei sobre ele como uma " figura que mais se assemelha a uma boneca de porcelana falsificada chinesa com cabelo de boneco de macumba" e que ele, diante da ascensão dos afro-americanos nos últimos anos, havia se tornado "um pato branco se afogando num mar negro afro." Não me senti bem lembrando essas frases. É como se agora eu quisesse dizer: foi mal cara!

Mas o que me vem à mente agora é que Michael morreu do coração. Não poderia ser de outra coisa. Segundo as fofocas de todo o mundo, Michael não era um ser humano feliz, talvez até de uma personalidade doentia e infantil. Acredita-se que um dos motivos foi justamente sua vida totalmente deslocada da realidade das pessoas comuns. Uma vida alienada das relações humanas que podemos aqui chamar de normais. Um indivíduo enclausurado pela fama, perdido nos reflexos do culto à sua personalidade, talvez querendo viver ou sonhar na Never Land uma infância que nunva teve. Não sei. Mas Michael sempre passou a impressão de um ser solitário. Alguém que, apesar de tanta fama e dinheiro - e de tantos passos no palco -, parecia não conseguir dominar seus passos em sua jornada nessa terra. Parece-me coerente, pelo menos isso, que tenha morrido mesmo de coração. E que a causa mais profunda para o colapso, não tenha sido outra coisa a não ser sua própria vida infeliz, solitária e sua carência, mesmo, de um sentir-se humano.
Ha uma frase de Joseph Campbell que diz que "estamos aqui para aprender a caminhar com alegria, em meio às tristezas da vida". Talvez Michael não tenha aprendido esse caminhar. Mas talvez nenhum de nós, mortais, jamais compreenderemos o mundo em que só ele viveu.

A Michael, minhas desculpas póstumas.

23 de junho de 2009

se em Paris...

Ultimamente venho me perguntando o que sou. Se um escritor, analista, cronista, poeta, blogueiro, artista, comentarista, crítico, um neurótico, uma vizinha fofoqueira, um bobo da corte, um pouquinho de tudo, ou absolutamente nada disso. É que bate aquela vontade de agir como se fosse e então... Vivo na corda bamba do amadorismo. Sei da minha meta: chegar do outro lado. Apesar de tantos desequilíbrios. Mas o mundo aqui é mais divertido. Não tem regras, não tem chefe, não tem pauta, não tem cara feia, não tem "juízo garoto!". Escrevo o que quero, do jeito que quero. E me dou ao luxo de, como Aline, às vezes ser só coração. Estou certo de que se Deus me deu um cérebro e um coração, é porque é legal usar os dois, misturados ou separados. Depende da vontade. Tenho uma forte sensação de que meu coração funciona dentro de minha caixa craniana e que meu cérebro não calcula, dá um mais ou menos, mas me diz que é por aí mesmo.
Gostaria de me acreditar escritor, pelo menos pra manter minha auto-estima. Minha formação intelectual foi com gibis da turma da mônica e assistindo a pica-pau. Já um personagem histórico que influenciou minha forma de ver o mundo foi Fio. Fio foi um amigo da infância e adolescência. Ele era quase analfabeto, mas era ele quem tinha as sacadas pra muito além de minha oitava séria alienada. Era pobre, filho de lavadeira, mas de uma percepção social extraordinária. Comentava e dava aquele sorriso. E eu ficava com inveja. Se Fio tivesse nascido em Paris, com certeza já estaria em livros.

Nesses quase três anos de blogs (começando pelo literalmente falando) aprendi muito, acho que amadureci bastante. Desobri escritores fantásticos, pessoas que me ajudaram a enxergar o mundo de forma mais rica e ampla. No mar da blogosfera, já me senti um peixe esperto, outras vezes, um cocô boiando. Sinto-me honrado pelos meus poucos, mas queridos leitores, quase cúmplices. Sinto-me contente quando vejo que o que escrevi bateu na cabeça de alguém, como um pedrinha de estilingue, nem que seja pra deixar zonzo. O que achei legal nesse tempo é que nunca me senti um sem noção. Isso porque meus leitores são bonzinhos. Quandos eles percebem pobreza na minha argumentação, eles tentam entender o que eu quis dizer, e consideram apenas minhas boas intenções. Se 90% do que escrevi é um absurdo, eles procuram os 10% de sanidade e me dão a maior força.

Algumas coisas me incomodam profundamente: a retórica dos reis, os que dormem de óculos escuros nos ônibus, os que acham que homens bomba são bonecos de video game, e os mortos vivos. Uma coisa admiro: o sair da caverna.
Já tive vontade de abandonar o blog. Vontade de não mais escrever porque afinal, pra que escrever? Mas um motivo me restou, suficiente pra que eu continuasse: estou vivo, e que o universo sinta a vibração de cada batida no meu teclado. Oh, yes!
Sei que nesse tempo, escrevendo e lendo blogs, não perdi nada. Pra mim, é sempre - oh shit! - emocionante o ato de escrever, a leitura do mundo, o texto como reflexo do que somos.

Hoje faço 29 anos, e me sinto feliz por não estar gripado.

agora, sem véu


"A beautiful girl, silenced forever. My heart died watching this video, it hurt so much"
Comentário no youtube sobre a morte de Neda, durante protesto no Irã.


Faço dessas palavras as minhas. Nunca tinha visto cena igual.


O vídeo, aqui.
A reportagem, aqui.


21 de junho de 2009

Proposta


Proponho que quem trabalha diretamente com o público tenha direito a um adicional por danos psicológicos, da mesma forma que existem os outros adicionais supracitados.


Vale a pena conhecer o adicional de penosidade!


eu só acredito...


existem as coisas supérfluas
as coisas inúteis
as coisas sem importância
as coisas fúteis
as coisas superficiais
as coisas tolas
as coias vagas
as coisas tênues
as coisas irrisórias
as coisas insignificantes
as coisas banais
as coisas desinteressantes


e tem gente que não acredita em milagre


existem as pessoas alérgicas
as feias
as frias
as chatas

e tem gente que não acredita em milagre


existe a poluição sonora, visual e a dos rios
o spam
os comerciais de tv
os engarrafamentos
os deputados
os enlatados
o desgelo das calotas polares
o domingão do faustão e gugu
os juros de cartão de crédito
a gripe aviária, a suína e a dengue
os radicais livres, a gordura, as calorias e o açucar
os flanelinhas
o Angra 1 e o 2
a carga tributária
preta gil
as casas bahia
.
.
eu acredito em milagres

start


amanhã eu vou apertar um botão e o mundo vai funcionar do meu jeito!


se eu começar a escrever sem acento

se eu escrever pela metade, pra completar com o pensamento

se eu nao quiser mais seguir nenhuma regra gramatical

se eu achar que não preciso justificar minhas opniões

se eu começar a escrever apenas cartas pra minha sobrinha e pra humanidade vindoura

se eu quiser ser atemporal

se eu postar várias pinturas de Picasso

se começar a não falar mais nada sério

se voltar às poesias

se passar a comentar mais do que escrever

se postar posts vazios



é sinal que eu apertei o botão


18 de junho de 2009

porque gostei demais



"Sem mais ter o que perder, me entreguei às letras e aqui vou eu."
Lola



ps.: bem que poderia ser o subtítulo do meu blog!



num tapa


A diferença entre o homem mais poderoso do mundo e um indivíduo qualquer usuário de transporte coletivo pode ser exemplificada através de um ato assassino. Obama matou uma mosca e o vídeo foi visto mais de cento e cinquenta MIL vezes no hetube. Eu já matei umas oitocentas muriçocas no verão passado e, pelo que fui informado, não houve nenhuma repercussão global. Tudo bem, foi de uma agilidade excepcional. Não é pra qualquer um. Mas... vocês já observaram o tamanho da mão de Obama?

Eu não saberia medir o tamanho do impacto ambiental, do desequilíbrio ecológico provocado pela eliminação daquela mosca pelas mãos do homem que deveria dar o maior exemplo. Talvez seja pequeno, mas foi o presidente dos Estados Unidos da América quem matou. Existe toda uma força simbólica. Fico me perguntando se não haveria de ser tipificado como crime ambiental. Não é possível que a única função da mosca no ecossistema seja atrapalhar entrevista de presidente da república. Se crime, quem sabe o Homem fosse parar em Guantánamo...Não é pra reclamar. Já disse a atual miss universo que lá é um lugar "suuuuper divertido".

Mas Obama não é bobo. Esses homens nunca perdem uma oportunidade diante das câmaras. Tem gente pensando que Obama é tranquilão demais, devagar...Foi uma forma então dele responder: não contavam com minha astúcia! Será que na hora de explodir uma bomba atômica lá na Coréia do Norte, sobre a cabeça de Kim Jong-il, ele vai pensar duas vezes? Sei não...acho que temos muito o que aprender com a história dessa mosca. É um comportamento observável. Pode ajudar alguém a traçar seu perfil psicológico. Será que isso indicaria algum componente violento na personalidade do presidente? Não, não. Foi apenas uma mosca. Mas será que quando criança ele não rodava gatos pelo rabo e jogava na parede? Como diria Freud, nada acontece por acaso. É preciso dar uma checada nesse inconsciente. Pobre da mosca. Mas teve um morte honrosa. Não foi qualquer mão, não é?

Fiquei sabendo esses dias que os estudiosos estão mudando a forma de dividir a história. Não estão usando mais Cristo. Agora usam outro nome lá, digamos, neutro. Não gostei da idéia. Mas, ok, ok. Acho que pensaram: se Nietzsche já matou Deus... O que não posso aceitar é que a morte de uma mosca divida o theytube, ou ganhe mais audiência que a morte de John lennon. Não, não. Imagine se tivesse matado um rinoceronte.
Mas por que diabos eu estou falando dessa mosca aqui? Acabou, boa sorte.

ps.: sem o google, eu não escreveria JAMAIS o nome...peraê...Nietzsche.

14 de junho de 2009

vai passar, vai passar...

Ontem eu estava, por acaso, na sala vendo tv, e tava passando aquele programa Lar doce Lar, do Caldeirão do Huck. Num dado momento, Luciano disse que a moça lá que ia ter a casa reformada "estava mega sem grana". Pause. Luciano não quis dizer que a moça não conseguia reformar a casa porque era pobre, mas sim porque estava pobre. A substituição do verbo ser pelo estar evidentemente coloca de lado a idéia de algo que seria permanente, para nos transmitir a idéia de um estado transitório, passageiro.
No livro "A cultura do medo", Barry Glassner fala que nos EUA não se olha para a sociedade como aqueles que têm dinheiro e aqueles que não têm. Ao invés disso, a sociedade é vista como aqueles que têm e aqueles outros que irão ter. No Brasil, com certeza, esse olhar não é diferente. Pelo visto, essa idéia da pobreza como algo passageiro, como, sei lá, uma etapa no processo de ascensão social, é típica de países capitalistas que sempre proclamam a mobilidade social como uma de suas características especiais.
.
Talvez não fique legal para um apresentador bacana, num programa descontraído que, enfim, está ajudando algumas pessoas a morar num ambiente melhor, dizer que essas pessoas são pobres. Pode não soar bem. Dizer que alguém é pobre, aliás, pode ser entendido como ofensa. A negação da pobreza como uma condição estável, com uma realidade persistente e, consequentemente, a negação do pobre como um indivíduo que é pobre, reconhecendo apenas o que está pobre, produz um efeito curioso: para que o indivíduo pobre ganhe existência, sentido e valor social ele precisa negar sua própria realidade e existência como tal. Se não existe pobreza como uma realidade social permanente na sociedade, também não existe a figura do pobre, mas a figura do que está deixando essa fase de pobreza, conquistando seu espaço na sociedade.
Surge então a figura do batalhador, do guerreiro, daquele que está, como no filme, "em busca da felicidade", daquele que irá ter. Nesse contexto, pode ser ofensivo dizer que alguém é pobre, porque tal classificação estaria colocando o indivíduo numa dimensão social, esta da pobreza permanente, cuja cultura capitalista não reconhece, muito menos valoriza, pelo contrário, nega a existência. Quando não dá conta de negar, menospreza, considerando que tal condição existe como um corpo estranho ao sistema. Assim, se referir a alguém como pobre seria o mesmo que dizer que essa pessoa não pertence à sociedade.
.
A exclusão aqui ganha outro sentido curioso. Não é mais o capitalismo como um sistema concentrador que exclui a maioria. A exclusão agora só ocorre se o indivíduo optar por admitir a existência da pobreza em sua vida como uma condição estável que é reflexo da realidade social. A exclusão se transforma num processo de auto-exclusão. Caso ele concorde que não é pobre, mas que apenas está sendo, assume o papel de guerreiro, de super herói, e então passa a ser reconhecido pela sociedade. É uma questão de opção.

Essa visão da probreza como algo transitório também é adotada com respeito à violência. Foi num post de Marjorie Rodrigues que peguei as palavras de Marilena Chauí sobre o tema. Segundo a professora, há dois "procedimentos" usados na elaboração do "mito da não-violência brasileira". Um deles é o

de distinção entre o essencial e o acidental — por essência, a nação é não-violenta e, portanto, a violência é algo acidental, um “surto”, uma “onda”, uma “epidemia”. A violência é algo que pode acontecer sem afetar a essencial não-violência brasileira. A violência é passageira, momentânea e pode ser afastada.

Enfim, o consolo de que tudo nesta vida é passageiro.


12 de junho de 2009

o espetáculo acabou


Coço minha barba três vezes tentando entender um pouco sobre o que se anda discutindo por aí à respeito da chamada revolução nos meios de comunicação. Diz-se que agora está por fim a era do ''eu digo vocês ouvem". Ou seja, esse modelo em que um punhado de órgãos de imprensa contam a estória do mundo e das coisas e guiam a opnião e visão da população, a partir de um ponto de vista restrito que é o seu próprio, está cedendo lugar à proliferação de diversos núcleos que fornecem, compartilham e debatem informação, representados por indivíduos ou grupos que manifestam assim sua própria interpretação sober os fatos. Seria ingênuo dizer que só agora, os indivíduos estão mais conscientes da necessidade de intervir na construção da informação ou do conhecimento midiático. Ao longo da história de nosso país, sempre tivemos núcleos de crítica e constestação, a exemplo do próprio movimento estudantil no período do regime militar. O que parece evidente hoje é a facilidade com que qualquer pessoa pode veicular sua opnião. Fala-se de uma "grande imprensa" que opera agora enfraquecida, desorientada, em conflito com esses núcleos/fontes de informação autônomos. Tem crescido a crítica a esses grandes orgãos de comunicação, que são acusados de serem manipuladores e tendenciosos. Recentemente a Folha veiculou um comercial, tal como uma contra-ofensiva. Em cada frase, percebemos claramente os aspectos críticos em torno dos quais gira todo o questionamento. Segue o texto:

"Quando você assina a Folha, você está assinando por um Brasil mais plural, moderno e democrático. Você assina embaixo pelo respeito às diferenças. Pelo respeito à liberdade e à divergência de opinião. Você diz sim às novas idéias. E à verdade acima de tudo. Assine. Sua assinatura faz a Folha ser cada vez mais a Folha".

O perigo de uma campanha feito essa, em que se destacam tantas qualidades, é justamente o do feitiço voltar contra o feitiçeiro e o Jornal ser visto mais ainda ludibriador. Está claro o embate. De um lado a grande imprensa, formadora de opnião massificada, integrada por jornalistas profissionais, com orgãos geralmente aliados a fortes centros de poder político e econômico. Do outro, indivíduos que sentem a necessidade de expor o que pensam e como pensam sobre a realidade que os cerca. Expor sua opnião, sua experiência, sua percepção, sua compreensão. Acho que o maior ganho é quando o indivíduo se dá conta de que pode construir conhecimento a partir de sua própria iniciativa, como sujeito ativo que coleta, analisa e interpreta informação. Os grandes órgãos falam de jornalismo profissional. A revista Veja, numa reportagem especial sobre a China, há uns 2 meses atrás, logo nas primeiras páginas, usava esse argumento para fazer frente ao conteúdo oferecido pelos blogs e outros meios afins. Acho que seria uma atitude medíocre desmerecer ou desacreditar o trabalho do jornalismo profissional. Mas, como já diz o velho ditado, dai a Cesar o que é de Cesar. Seria igualmente medíocre supor que o conhecimento confiável, articulado, robusto e inteligente sobre um fato qualquer, dependesse desse profissionalismo. Caros, existem milhões de brasileiros, eles possuem cérebros, são dotados de percepção, raciocínio, linguagem e capacidade de compreensão. Se existe algo, natural ou sobrenatural, que dificulte esse processo de análise e interpretação dos fatos, compreensão da realidade e construção de conhecimento independente dos grandes órgãos de comunicação, isso com certeza se deve mais a forças culturais do que à suposta incapacidade dos chamados amadores. E que forças culturais são esses que fornecem a ilusão de que o povo é um bando de cegos que precisa de uma entidade suprema que revele a verdade do mundo e das coisas?
Não tenho dúvidas de que a participação desses diversos núcleos na produção de conhecimento representa um ganho extraordinário na formação de uma sociedade mais próxima de si mesma e mais dona de seu próprio destino.

10 de junho de 2009

quem sabe...

Fui até a cama de minha sobrinha (Beztriz de 7 anos) dar um beijo de boa noite e perguntei a ela como tinha sido o dia na escola. Ela disse que a escola estava em greve. Então eu perguntei:
--- mas por que está em greve?

e ela repondeu:

--- porque o prefeito não mandou o material.


Outro dia eu havia perguntado a ela como tinha sido o dia na escola. Ela falou que tinha brincado. Eu questionei: brincou o tempo todo? Não ensinaram nada hoje? Ela respondeu que sim.

Pergunta nº

1: o que o prefeito da cidade de Salvador está fazendo com o dinheiro da Educação?

2. será que as sobrinhas do prefeito também estão sem estudar?

Minha sobrinha é uma pessoinha inteligente. Aprendeu a ler e a escrever bem cedo. Mas, entre brincadeiras e greves, como fica o futuro da nação?

9 de junho de 2009

como uma sombra no ar


Num texto sobre o acidente do airbus , voo 447, Aline tocou num tema que me chamou atenção. Ela disse que os mortos nesse voo tinham personalidade. Ela analisou a forma diferenciada com que a mídia trata a morte de alguns, a das pessoas bem sucedidas socialmente, em relação a de outros, a dos pobres. Falou dos nodestinos mortos nas últimas enchentes, que não eram vistos como sujeitos individualizados, mas sim como um único corpo. Eu comentei com ela sobre essa visão que temos do pobre como massa, e que seu texto havia me lembrado um livro que dizia que no Brasil, o criminoso que tinha dinheiro era identificado pelo nome, profissão, título. Já o pobre, era apenas o 'elemento'.

Ao pobre realmente é negado personalidade, com se não bastasse lhe negar tantas outras coisas. Na verdade, não sei qual o pior para um indivíduo. Se é lhe negar posse de bens materias, ou destituí-lo de personalidade, identidade social, individualidade. Que importância social se pode dar a um ser - que aqui já não pode mais ser chamado de indivíduo, já que não possui mais individualidade - ao qual lhe é negado sua própria existência social? É interessante lembrar que já a partir do nascimento, é atribuído ao ser humano personalidade jurídica, o que significa a condição para adquirir direitos e contrair obrigações. Mas esse tipo de personalidade, pelo seu caráter meramente jurídico, não faz muita diferença na vida do pobre. Pode-se comparar essa situação à questão da igualdade de todos perante à lei. Mais uma vez o pobre se movimenta na dimensão jurídica, quando o que se pretende e o que, de fato, faria diferença para sua vida seria possuir personalidade ou identidade e igualdade na dimensão social. Embora detentor de direitos, ao possuir personalidade jurídica, e igual aos outros no âmbito legal o pobre, sob o olhar social, continua sendo ninguém, ou apenas uma sombra, a de todos que lhe são iguais na pobreza. Destituir, socialmente, um sujeito de personalidade é um ato de violência, no mínimo. Isso porque, num país como o nosso onde é costume se fazer perguntas do tipo: ''você sabe com quem está falando?'', talvez seja o mesmo que lhe conferir uma certidão de óbito pregada na testa. Mas há uma forma de compensar. Se não temos uma identidade individual para dar ao pobre, vamos dar pelo menos uma coletiva. O menino que nasce na favela, portanto, geralmente não é identificado por caractísticas pessoais, como traços de sua personalidade ou aptidões intelectuais, mas por elementos como time de futebol ou estilo de música. Pelo menos, algo pra se contentar.

Quando entrei na faculdade, a aula inaugural foi com uma senhora, aparentemente louca, pelo forma como estava vestida, colares, cabelo assanhado e gestos desmedidos. Mas não era louca. Durante a aula toda ela nos fez refletir, através de algumas brincadeiras, sobre a complexidade do ser humano. Ela usou uma bonequinha russa, daquelas que na verdade são cinco, uma dentro da outra para simbolizar que possuímos várias dimensões como seres humanos, feito a espiritual, emocional, intelectual, etc. Para a faculdade, era importante que o aluno tomasse consciência de seu significado e riqueza como ser humano, o que contribui sem dúvidas para seu senso de importância e de individualidade como sujeito social. Sem dúvidas, essa olhar mais amplo sobre nossa identidade, automaticamente nos ajuda a quebrar certos rótulos. O processo de inserção no ambiente acadêmico e, consequentemente, num meio social mais destacado tinha, portanto, como pré requisito adquirir, agora sim, identidade individual, deixar de ser massa para que, através disso, se pudesse manifestar a personalidade para seu devido reconhecimento social.

Não é a toa a famosa frase, "virar alguém na vida". É triste ver alguém que não é ninguém, porque a este pouca é dada a oportunidade de falar, de manifestar suas necessidades e vontades. Qual o sentido de ouvir alguém cuja existência social já lhe foi negada desde que nasceu?