15 de novembro de 2009

e nem chegou o carnaval...


em 15 de novembro de 2009.
Pra quem busca desvendar o substrato psíquico comum de natureza suprapessoal ou o inconsciente coletivo, pelo menos dos internautas brasileiros, segue a dica:

Bruna Surfistinha = bunda
Viviane Araújo = bunda
Futebol ao vivo = pelada
Campeonato Brasileiro = pelada
Juliana Paes = bunda
The Sims = dentro do quarto pode haver uma bunda
Jogos de futebol = pelada
Jogos de corrida = uma possível bunda nas arquibancadas
Lady Gaga = bunda
Jogos de carro = uma loira bunduda dando a partida
.
Em suma, uma bunda e, de preferência, pelada.

7 de novembro de 2009

quase tarde

Alice morreu ontem. Era uma tarde morna. Morno o tempo, morna a água. Seu corpo boiava sobre a água salgada. Mas ainda estava viva. Gostava de boiar, esticar braços e pernas sobre as águas mornas do mar e deixar que os raios do sol, agora fracos porque já passava das quatro, tocassem levemente sua face. Na havia ondas. Era uma tarde tranqüila, um mar tranqüilo. O corpo continuava boiando, pra lá, pra cá. Uma sensação de paz preenchia seu coração. Naquele dia, água salgada não entrou em seu nariz. Até a temperatura do vento estava ideal. E ela sentia que era delicioso sugar o vento como se sugasse toda a vida do mundo. Em sua cabeça não havia mais preocupações. Todas já haviam se afogado. Alice flutuava nas águas e, de longe, só viam sua testa, a ponta de seu nariz e dos dedos dos pés. Alice tinha os cabelos ruivos que também não perdiam a oportunidade de boiar. Alice girava enquanto o sol vagarosamente se punha. Não eram cinco. Mas já passara das quatro. Era o horário que ela mais gostava. Um sol que não queimava, apenas lhe trazia uma gostosa sensação de energia. Tudo estava estranhamente perfeito naquele dia. Daria um quadro, um quadro no quarto de Alice. No céu, poucas nuvens. Alice sempre apreciou o horizonte mas, naquela tarde, que não era tão quente nem tão fria, que não era repleto sol nem lua, a menina não quis olhar o infinito. Continuava dormindo sobre as águas. Alice não morreu de afogamento. Não morreu da ingestão de água salgada. Não morreu de susto ao imaginar que seria devorada por tubarões. Não morreu de insolação. Alice morreu um dia antes de fazer 19 anos, no dia 29 de novembro do ano 2039 após o nascimento de Cristo. Os médicos que fizeram a autópsia chegaram todos a uma única conclusão. Motivo do falecimento: uma sensação profunda e quase inexplicável de paz.

4 de novembro de 2009

a diferença

Descobri que uma das principais diferenças entre eu, 29, e minha prima,13, é que ela adota duas maneiras práticas de resolver qualquer conflito. Uma é dizendo "sei lá". A outra é justificar qualquer atitude com o "estava a fim". São duas maneiras práticas de relaxar o cérebro e sentir o gostinho da adolescência rebelde. Se um adulto toma uma decisão irresponsável, geralmente vai desenvolver uma teoria científica e reunir argumentos dos mais diversos ramos do conhecimento para que, de posse de uma concepção holística à beira do transcendental, cujas raízes se encontram nas mais profundas teorias psicológicas behavioristas, cognitivas e evolucionistas, apresente uma justificava razoável. Se o adolescente desconstrói o mundo em sete dias, vai apenas dizer que fez porque estava a fim. Mas se engana quem pensa que esse argumento é inconsistente. Na verdade é um dos mais complexos. Funciona como aqueles provébios chineses do tipo "a água sustenta o barco. a mesma água afunda o barco". Ou um lição cristã, do tipo: " o homem colhe o que planta". Ou seja, são apenas algumas palavras mas que guardam alguma sabedoria . Agente sabe, sempre ouviu, mas morre e não aprende. Quando um adolescente diz que fez porque estava a fim ele não está negando sua capacidade de raciocinar e de apresentar argumentos coerentes e sólidos. Ele não está alienado de seus próprios motivos. Ele não está incapacitado de associar pensamento, sentimento, comportamento, causa e efeito no universo. Mas é verdade também que o adolescente, como o próprio adulto não tem consciência do motivo de todas suas ações. Ele responde que estava a fim por duas razões: 1. desinteresse em filosofar. 2. capacidade extraordinária de sintetizar. No momento em que o adolescente percebe que as causas para aquele determinado comportamento são as mais diversas (família, religião, genética, impulsos inconscientes, novelas, professor, amigos, a lua, internet, namorado(a), cotação do dólar, conflitos na faixa de Gaza, globalização, guerra de traficantes no Rio, desemprego, Twitter, comportamento das celebridades, destino, entre outros) ele simplesmente e, inteligentemente, se poupa de uma desnecessária e penosa elucubração filosófica que, por fim, só lhe causaria desgaste mental além de não garantir a devida absolvição. Tomando um caminho mais prático e sensato, o adolescente simplesmente sintetiza com um "tava a fim". Esse tava a fim, como o provérbio chinês, não é vazio, por ser curto. Ao contário, possui um significado complexo e profundo, justamente por abranger aquele conjunto de eventos que influenciam o comportamento. A diferença é que nessa situação, a outra pessoa é que tem que se dá ao trabalho de compreender.
'Sei lá" também é gostoso de se pronunciar. Experimente. Da próxima vez que seu chefe lhe perguntar porque ele deveria acatar a sua sugestão de demitir 50% do pessoal e investir naquela tecnologia que custará 50 bilhões de dólares, você responde com um simples "sei lá". Vale para a sogra, para o cônjuge, pro vizinho chato, ou para aquela pessoa que é a autoridade máxima em sua vida. Afinal, não somos a wikipédia para saber de tudo nem um transação bancária para ser on-line. A atitude do adolescente de dizer "sei lá" não significa burrice, demência, autismo nem DDA (distúrbio do déficit de atenção). É apenas uma forma de manifestar o que realmente somos, seres humanos, e não o banco de dados da Receita Federal.

30 de outubro de 2009

tempo

quando o sol se pôs naquela tarde, naquele instante em que os raios fugiram do céu e as nuvens, antes rosadas, começaram a ficar escuras, tive a sensação de que o tempo, ele próprio, havia morrido.

27 de outubro de 2009

ser ou não ser

Já é a terceira vez esse ano que confundo pobre com mendigo. Primeira vez um rapaz perto do meu trabalho me chama na rua, eu paro meio assustado e ele me pergunta as horas. Na segunda vez, uma mulher jovem com um menino no braço para ao meu lado numa cafeteria, eu puxo uma moeda, mas era uma babá. Hoje, quando eu estava voltando pra casa do trabalho, um rapaz me chama na rua pra que eu diga pra mulher dele - porque não estava acreditando - que aquele orelhão pequeno é, evidentemente, para as pessoas que têm dificuldade de alcançar o maior. Minha dúvida é se esse é um problema isolado meu de percepção social, ou se a situação na Bahia está tão crítica que está difícil mesmo de distinguir pobre de mendigo.

26 de outubro de 2009

Amelie

"Estas canciones me recuerdan a mi infancia... recuerdo con claridad el jardin gigantesco que ami edad me parecia mas grande aún.. dias inolvidables... dias magicos sin ninguna malicia ni perversidad, me acuerdo que un viejo amigo de mis padres se sorprendio como era mi familia y decidio filmarnos y puso estas canciones que yo jamás olvidaré... nostalgia es lo que abunda en el fondo de mi al escuchhar estas magicas canciones... " (69EsKimg69)

Para ouvir: aqui e aqui

7 de outubro de 2009

é hora


e me interessa a forma como formamos hábitos, como sofremos condicionamentos, entramos na rotina e nos tornamos, por vezes, tão robóticos no andar e no pensar.
mundo organizado
um papel a cumprir

podemos olhar de outra forma
sorrir de outra forma
tocar de outra forma
um tom de voz diferente

segundos de silêncio
quem é o outro?
o que conhecemos?

perceber.

abriu-se uma janela.
vento, vento, vento.
é hora de voar!

2 de outubro de 2009

olympic games 2016







Viva o Rio, viva o povo brasileiro!




26 de setembro de 2009

diferença

Semana passada, sentado num banco de shopping, vi que havia uma diferença entre os adolescentes coloridos e eu.
Era o tempo.
A crise não é só dos 30. Penso que seja também dos vinte e nove para aqueles que têm a mania de sofrer por antecedência. O que fiz da minha vida? acho que não muita coisa.
Quando tinha 19 anos assisti a uma palestra de Roberto Shinyashiki na qual ele dizia que a vida muda a partir do momento em que você muda. E de que não importa onde você está ou de onde veio, mas onde você quer chegar. Nunca mais esqueci essas palavras. Na última conversa de varanda com meu avô, presibítero da Igreja Presbiteriana, eu com 22 anos, ele me disse pra eu fazer um voto. Até hoje não fiz.
Quero comprar minha casa, de frente pro mar.
Não sou mais adolescente, que o diga o tempo.

24 de setembro de 2009

o que pode ser

O menino entrou no buzu e começou a pregar o Evangelho. Na metade da pregação, citou a passagem bíblica que diz que "o diabo vem para roubar, matar e destruir". Mas não se contentou em citar a Bíblia ao pé da letra. Percebendo que a população entenderia melhor caso usasse uma palavra que estivesse mais integrada à cultura popular baiana, à linguagem e ao cotidiano do povo, disse que o diabo vinha para "fazer a bagaceira". Naquele instante, os olhos dos passageiros, outrora sonolentos e perdidos pelas janelas, se arregalaram e miraram o menino.
Mas o que é bagaceira na bahia? Segundo os programas de tv sensacionalistas da região, bagaceira pode ser:
a) um cadáver estendido na rua
b) um acidente grave de trânsito
c) um tiroteio com mortos e feridos
d) desabamento de casas pós chuva
c) briga de vizinho com faca e garrafadas
d) briga de carnaval ou de estádio de futebol com muita pancadaria e sangue
c) todas as alternativas juntas
d) outros

Ainda bem que a Bahia é de todos os santos.