11 de setembro de 2008

365 dias

A liberdade me intriga. Não fazer nada talvez constitua crime na sociedade do trabalho. Se eu parar, o mundo implode.Tenho que respirar no ritmo da atualização de um jornal eletrônico. Olha só, eu não quero fazer nada hoje. O problema é meu, a vida é minha. Se a Terra demora trezentos e sessenta e cinco dias pra dar uma voltinha em tono do sol não sou eu quem vou acelerar nada. Quero antecipar pro nosso país tupiniquim o ócio criativo. No mínimo, mofo eu garanto criar. Mofo é uma forma de vida. O resto, só depende da evolução das espécies. Por que eu preciso responder pelos meus próprios atos se Freud já disse que nem mesmo eu sei porque faço ou deixo de fazer? Se alguém tem dificuldade pra entender a causa de meu comportamento sugiro que faça um curso de interpretação de sonhos. Eu não estou aqui reclamando liberdade religiosa, política, econômica, nem de expressão. Isso já tá incluso no pacote básico. Eu quero liberdade pra passar uma semana no quintal de casa tacando pedra em rabo de lagartixa. Eu sei que na vida em sociedade todo mundo tem que fazer sua parte e ninguém vai sustentar um vagabundo e que eu preciso pagar meus impostos pra ter meu carro roubado e morrer numa fila de hospital. Mas, eu quero um tempo, uma dácada, pode ser? Que tal repartir melhor esse bolo? Talvez um salário mais robusto pra eu me tornar logo um consumidor compulsivo. Eu não preciso de uma faca de trezentos mil dólares que corta de algodão a chapa de aço de dois quilômetros de espessura, mas eu compro, ok? Eu compro e depois não jogo fora, mando pra uma indústria bélica como doação porque tenho consciência ambiental.
Ah,esse ano não vou fazer compra de Natal. Nunca vi Papai Noel in my life e lá em casa nem chaminé tem. Na verdade, Papai Noel é um pilantra. Todo ano diz que vem, mas no final das contas quem acaba no Serasa sou eu. Espírito de Natal? Já tenho o meu próprio espírito, obrigado. Eu não quero essa rotina humana. Eu quero me mudar pra Brasília e viver um conto de fadas. Quanto aos adolescentes, é importante salientar que não existe mais crise de identidade hoje em dia. Eles sabem perfeitamente que são pessoas ansiosas, estressadas, compulsivas e neuróticas. Olimpíadas pra mim só se for de meditação e ioga. Também não quero viajar de avião. O balão é a solução definitiva pra todos os males da civilização. Quando não servir mais, joga na Amazônia. Não é nossa mais mesmo.