8 de setembro de 2007

Porque devo jogar minha tv no lixo

Diz-se por aí que a internet vem revolucionando os meios de comunicação e, por isso, tem afetado, mesmo, instituições poderosas de nossa época como a televisão. Televisão vem do burronês e quer dizer “aquilo que faz o sujeito ver”. Traduzindo num sentido mais prático, “o que faz o indivíduo pensar estar vendo algo que lhe interessa”. Para piorar, pode-se dizer que a televisão é um elemento da vida cotidiana mundial incompatível com a espécie humana desde sua invenção, não podendo, por isso, atribuir aos nerds do Vale do Silício a culpa por sua decadência natural. Vários características (próprias ou que lhe foram atribuídas anonimamente) eu poderia citar para fundamentar minha tese. Poderia fazer eco à voz de todos aqueles que passam a vida demonizando a tv ou acusando-a de instrumento de lavagem cerebral, o que, nas palavras de Durkheim, corresponderia a dizer de maneira mais elegante, um instrumento de moldagem da “consciência coletiva”. Mas não é sobre o poder de formar ou deformar opiniões que quero tratar. Muito menos se a tv contribui ou não de forma bem intencionada e inteligente para o desenvolvimento intelectual ou cultural do povo brasileiro. Muitos críticos consideram a novela uma ameaça terrível aos bons costumes por querer difundir de maneira pervertida os valores e hábitos de uma sociedade. Mas, não é sobre questões como essa que quero meter meu dedo e nariz. Minha crítica vem de uma observação bem menos polêmica ou complexa: “ A tv é um abuso". Isto porque (retomando o sentido original da palavra) ela "diz" e "quer" nos convencer de tudo aquilo que não queremos saber ou ser convencidos. Por esse motivo, só não vou jogar a minha fora amanhã porque ainda alugo dvds. Evidentemente, essa não é uma característica exclusiva e deplorável da tv. A maioria das mídias como jornais impressos e rádios sofrem do mesmo mal. Falo da tv pela razão óbvia de ser mais popular. Todo mundo, até minha sobrinha de um ano de idade, já descobriu que a tv é um milhão de vezes menos interessante que a internet. E por um motivo muito simples: não podemos escolher “o que” e “quando”. Já diante do mundo virtual, a mágica é perfeita. Ela pronuncia a palavra “Pimbo”, (manifesta sua vontade) - referindo-se ao desenho “Pingo”- dá um clique único (não precisa de muita coordenação motora) e pronto, desejo realizado. Já como a tv, a interatividade é substituída por aquela unilateralidade prepotente: "isso não me interessa, mas eu não tenho escolha". E para aqueles que defendem o controle remoto ou a tv a cabo como mecanismos de escolha, basta lembrar que ainda assim precisamos esperar (parece um palavrão) sempre. E se não podemos “escolher o que e quando” não podemos nada. Vê-se com isso que, além de todos as mazelas já mencionadas, a tv é ainda antidemocrática, ao ferir profundamente a liberdade individual. Diante da tv, não possuímos nem o direito essencial de dirigir nossa atenção, o que significa dizer que ela provoca uma “obstrução direta e rígida ao direito essencial de dirigir nossos pensamentos e, consequentemente, nosso ato de pensar”. Filosofia do Direito à parte, nossa experiência como telespectadores denuncia essa relação manipuladora tv-homem. Um exemplo clássico são as propagandas comerciais. Pagamos contas altas de energia, desperdiçamos tempo (o bem mais valioso de nosso século) para assistir ao mercado querendo introduzir em nossos cérebros uma idéia consumista de uma necessidade artificial de se comprar um bem fútil, algo sempre extraordinário. Há quem defenda que carro não é fúltil, mas, por outro lado, eu não tenho disponibilidade financeira (dinheiro) suficiente para comprar um à vista por R$ 34.000 (trinta e quatro mil reais). Mas é só esse fim de semana! Aproveite essa promoção! Oportunidade Imperdível! Eu, decididamente, não quero perder meu tempo assistindo a comerciais que, absolutamente, só interessam a quem vende. Definitivamente a internet é a salvação (a palavra é essa mesmo). E não falo isso olhando só pro meu umbigo. Pesquisa realizada por mim entre meus vizinhos revelam com dados incontestáveis que todos eles, após terem comprado um computador, vêm apresentando quadros graves de amnésia completa com relação a tvs. Tvs e comerciais, eu, conscientemente, vos sepulto!

2 comentários:

Rafael disse...

completamente apoiado!

Jana Cambuí disse...

Exatamente. A Tv é um instrumento de "incomunicação" - se é que isso existe. Mas não culpo a ela em sua essência, pois não é senão um aparelho da globalização. A raiz do problema está na grande mídia, e aí saímos até mesmo das Tv's: vêm as "revistonas", os "jornalões" e etc. A Revista "Veja", por exemplo, tem um nome bastante sugestivo, não??

Bom, poderia ficar comentando o teu post aqui um tempão, mas resumidamente, adorei tudo. Agradeço pelo comentário no meu blog, pelo link (também linkarei o teu), e pela cultura e entretenimento que você oferece aqui no "Eu Acho Que Foi Assim".

P.S.: Todo Baiano se identifica com o que o conterrâneo escreve, já reparou?