2 de setembro de 2009

porque é gostoso ouvir

Existem coisas, verdadeiramente, que gostamos de ouvir. Dá uma sensação gostosa no cérebro. Provavelmente estimula a produção de serotonina. Pra mim, um exemplo clássico é quando um parlamentar, voltando-se desconcertado em direção ou contra um jornalista, no intuito de justificar a inércia que lhe é natural para os assuntos que não lhe agregam valor $, diz que "é preciso aprofundar a discussão", ou "analisar de forma mais profunda". Vamos aprofundar então.

1 de setembro de 2009

dois pontos

A terra gira em torno do sol assim como eu acredito que meus neurônios girem em torno de alguma coisa dentro de minha cabeça. Pensar pra mim é assim. Fico tonto e dá até dor de barriga. Tv, internet, jornal, professor, chefe, vizinho, irmã, mãe, cachorro, sobrinha, deputado, Jornal Nacional, Rede Record, msn, blogs, English, buzu, engarrafamento, chuva, sapato, compromisso, cliente, papel...Como um espermatozóide conseguiu se transformar em algo certamente complexo que consegue assimilar e processar tudo isso? Ultimamente venho pensando que um homem deve ter um objetivo, e nada mais. A vida como dois pontos, o de partida e o de chegada, com as filosofias devidamente guardadas na estante. Não me importa Descartes, se o pensamento está dentro ou fora, mas que chegue a algum lugar. As coisas por aqui precisam fluir, como as águas do mar. Talvez fosse melhor que a espécie humana fosse feito aqueles outros animais que não pensam. Ou, um simples vegetal. Como tudo seria tão harmonioso. Homem pensante, quão erráticos são teus pensamentos! Do lado de fora da janela, falsas polêmicas, problemas fictícios, um tal de joga o barro pra ver se cola. A barriga cheia de demagogia, a boca cheia de retórica, as mãos...ah...as mãos...me desculpem os misericodiosos, essa pedra eu atirarei.
Que direi aos alienígenas sobre esse admirável planeta azul? Vamos plantar uma sementinha de esperança. Regue, cuide, proteja. Quanta estupidez.

5 de agosto de 2009

fragmentos

Tinha uma velha fumando cachimbo na entrada da escola. Lembro que era uma velha bastante velha porque a cara era de velha mesmo. Bem, talvez fosse uma velha mal cuidada. Naquele tempo não havia tanta coisa pra se botar no rosto como existe hoje em dia. O ano era por volta de 1985 D.C e eu deveria ter uns cinco ou seis anos. O muro de Berlim ainda tava de pé, o Brasil ainda sonhava com o Tetra, meu pai com um video cassete (quantas cabeças?) e com a casa própria, e eu assistia Balão Mágico. Tínhamos uma linha telefônica e uma televisão 14" colorida. Os políticos espalhavam outdoors com mensagens de um futuro próspero. Bem, 2009 - 1985 = 24 anos depois e a cidade, Santa Cruz do Capibaribe, pequeníssima e feia, parece nunca ter acreditado nas promessas. Havia um zarolho que morava em frente de casa, o homem lá da venda da esquina, e alguns amigos de infância. Havia uma menina, gorda e com aspecto de fóbica, que sempre estava na janela de casa quando eu ia pra escola. Finais de semana eu comia rapadura que um amigo de meu pai trazia. Naquela época, inspirados pelo modelo cultural de colecionador de enciclopédias inúteis, descobríamos que o nome científico do sapo cururu era Bufo Ictericus e que o ser humano possuia uma cabeça, dois braços, duas pernas e uma coluna vertebral. Uma certa noite, meu pai me chamou para vê-lo hastear a bandeira nacional em frente à agência bancária onde trabalhava. Até hoje faço um esforço almático (quer dizer, de alma) para, no mínimo, compreender o significado desse símbolo como um animal vertebrado, e com um ser histórico e social. Foi por esse tempo que descobri o radinho de pilha e, consequentemente, Paralamas do Sucesso. Até hoje, apesar dos cds, dvds, true HD, nada foi tão bom quanto descobrir algumas músicas num radinho de pilha grudado no ouvido, com seis anos, esticado numa rede. Meu pai queria sair da cidade talvez na intenção de figurar como um nordestino menos feio e menos pobre. Mudamo-nos. Com sete anos, eu entrava numa nova escola. Novas amizades, uma casa própria e maior, uma rua enorme de barro pra correr e, um pouquinho mais à frente, um Atari e um vídeo cassete. Mas a imagem da velha eu nunca esqueci. Ela nunca falou comigo nem eu com ela. Ela ficava, repito, sentada na escada que dava entrada para a escola. Sempre segurando seu cachimbo e soltando aquelas bolas de fumaça. Aquela senhora era a velhice. A velhice em pessoa. O olhar era quebrado, um pouco amarelado, um pouco profundo. Não sei se esses detalhes são exatamente memórias reais ou coloridas com a imaginação. Mas não foi só a velha que marcou minha memória infantil. Foi a velha e o poço na casa da vizinha. O poço era fundo que não se via o fim. Era um poço feito aquele do final do filme Could Mountain. Só que eu não via água, só um escuro. Às vezes, me pergunto porque essas imagens nunca se apagaram de minha lembrança.

26 de julho de 2009

amazing

nasci na ucrânia em 1901, filho de um operário e de uma atriz polonesa em decadência
aos 14 anos fui varrido para a Inglaterra, para trabalhar na indústria têxtil
aos 18, fui morar na Alemanha porque tinha interesse em comprar um fusca
participei da I guerra mundial. efetuei algumas baixas
aos 42 fui confundido com judeu e quase fui parar num campo de concentração
me deportei para New York, onde escrevi um livro sobre o terror nazista
aos cinquenta anos, ensinava nas principais universidades americanas
dei palestras around the world onde ensinei às pessoas a serem felizes
pouco tempo depois, comprei um notebook e fui morar nas montanhas.
aos 60 anos, comprei um balão e dei 3 voltas ao redor do planeta
numa dessas viajens, tive a oportunide de entrar em contato com extra- terrestres e de contribuir com o desenvolvimento da tecnologia aero espacial
passei 10 anos no Brasil, onde ensinei aos brasileiros a perder tudo, menos o game
fui protagonista de um filme chamado: no topo das calotas polares, eu sorri
fui um ávido defensor das baleias e tartarugas marinhas
fundei uma ong na amazonia
plantei um pé de eucalipto
em minha tese de doutorado, defendi que a gema do ovo não faz mal à saúde, definitivamente
colaborei com a campanha de Obama porque sou adepto da democracia racial
gosto de andar de bicicleta porque é mais saudável
com 102 anos, construi uma página na internet, coloquei uns videos no youtube e fiquei ainda mais conhecido mundialmente
atualmente moro na China. ainda não descobri porque. não aquero comer escorpião.

25 de julho de 2009

buy

e eu gostaria apenas de recomendar que comprem flores quando os dias estiverem pálidos, quando as conversas estiverem chatas, quando o download estiver lento, quando a fila parar, quando o beijo não consumir, quando o pc não ligar, quando a resposta demorar, quando a janela não abrir, quando o colchão estiver duro, quando o cartão de crédito estourar, quando a barguilha não fechar, quando tudo aquilo sair de moda, quando o abraço não aquecer, quando a cerveja não gelar, quando o amigo vacilar, quanto tudo embaraçar, quando o seu amor encontrar um outro amor.
compre flores.

23 de julho de 2009

sempre assim, sempre assim

Error (fock you)
You have reached the download limit for free-users. (fock you again) Would you like more? (óbvio)
Get your own premium account now! (Agora não dá!) Instant download access! Or try again in about 5 minutes (5 nãaaaaaaaaaaaaaaao)

já morri de inveja

um coração literário em excelência

no smile

A primeira reação quando vi a foto de minha sobrinha Beatriz, de sete anos, no porta retrato que ela colocou hoje no meu quarto foi: "por que você está com essa cara triste bê"? Ela ficou calada. Aí, automaticamente eu perguntei de novo: "oxe, por que você está com essa carinha triste meu anjo?" Ela então respondeu que foi porque estava sem óculos. Mas não foi só isso. Convivo com Beatriz desque que nasceu e um rosto de criança triste numa foto não se confunde.
Duas horas depois eu olho para a mesma foto, e agora com o automático desligado, me pergunto: "porque ela deveria aparentar alegria quando não sentia?". Por que sempre temos que parecer felizes? Por que a expressão de tristeza ou desânimo é tão rejeitada em nossa sociedade?
Pensei em duas hipóteses:
1. devido a um sentimento altruísta. Queremos ver as pessoas felizes, então cobramos que elas façam algum esforço para se manterem bem.
2. tem a ver com controle e coesão social. Cara feia é sinal de insatisfação e a demonstração pública desse tipo de sentimento não é bem recebida por aqueles que estão no controle de qualquer sistema social. Seja na escola, na universidade, na empresa, enfim, em qualquer sistema. Culturalmente, aprendemos a cobrar dos outros e de nós mesmos expressão de satisfação porque alguns temem a tensão, o desequilíbrio, o contraste, o questionamento. Cara feia talvez seja a linguagem corporal que mais represente a mensagem de "quero mudança". E mudança pode ser algo arriscado para alguns. Além disso, se eu demonstrar insatisfação posso ser excluído do grupo e o ser humano não suporta rejeição. Então, rostinhos felizes. Se eu não suporto essa pressão para parecer contente, faço questão de montar um perfil num site de relacionamento bem deprê, escancarado. A cara feia, a cara triste, então, simboliza um ato de protesto, de subversão. Algo como dizer: "que se dane sua vontade de me ver feliz."
Ok, minha querida, pode ficar com essa carinha feia mesmo.

assim nem assusta

Talvez uma coisa que eu jamais vou compreender nessa vida, seja a preocupação da mulher com a vaidade depois de morta. Ela disse: "tomei o frasco de chumbinho, mas antes tomei banho, me vesti e me penteei porque não queria ficar uma defunta feia".
Como alguém pode se preocupar com a reação dos outros quanto à aparência justamente numa experiência que não vai viver? Sinceramente acho muito estranho.
Já há alguns anos eu vinha pensando sobre o sentido da vaidade para a mulher. Quanto mais vivo, mais me convenço de que mulher e vaidade são uma coisa só e de que não existiria uma coisa sem outra. Caso ocorra de não haver vaidade na mulher, não existiria mulher, mas qualquer outro tipo de criatura humana. Tubo bem, dizem que não há natureza humana. Pouco importa. Se é um padrão recorrente desde os primórdios da humanidade, inventemos outro nome qualquer. O fato é que de algum modo faz parte. Claro que existe toda uma estimulação cultural, principalmente numa sociedade de consumo, de hipervalorização da estética. Mas creiam, está no gene. Não vou provar. Apenas creiam. Como diria minha avó, "tá no sangue". Parece-me que entre as mais diversas civilizações se consagrou que o homem obteria o que quisesse pela força, pela coragem, pela inteligência. À mulher, colocada num segundo plano, não restaria outra arma a não ser enfeitiçar o homem pela beleza. Se graça nenhuma tivesse, pobre moça. Algumas dizem que se embelezam para si mesmas. Não acredito. Concordo com William James quando disse que o desejo mais profundo do ser humano é se sentir importante. E para que o ser humano se sinta importante é preciso, como já disse John Powell, que ele veja "seu valor refletido no olhar do outro". O outro, sempre vai nos completar como humanos, como existência. Vejo minhas sobrinhas pequeninas se preocupando tanto com a aparência. Se um homem falar que uma mulher é feia ela não vai esquecer isso pelo resto da vida.
Mas não entendo como isso pode ocorrer de forma póstuma. Não entendo. Plenamente não entendo. Pra mim, será sempre um mistério.

amanhã

ontem à noite, pela primeira vez na minha vida, eu senti uma alegria estranha ao abrir minha página do orkut.
parecia que todo mundo tava feliz
As fotos dos amigos não pareciam figurinhas vencidas que serviam apenas para dar clicada. Naquele momento, pareciam rostinhos felizes.
Achei incrível um ser humano se sentir "feliz" diante de uma página do orkut. Foi aí que bateu aquele medo. Será um sinal de que amanhã vou morrer?
Fiz logo logout para afastar a urucubaca e fui ler uns blogs perdidos por aí.
Outro dia eu estava pensando: quando eu morrer, meu blog também vai morrer? Bem, devem existir coisas mais importantes para se preocupar num momento desse. Mas, poxa, eu gosto dele. Gostaria que alguém continuasse. Mas quem seria a vítima? Quem se arriscaria à atividade tão insana?
Bem, aprecio todos os escritores listados em meu blogroll. Mas, e SE eu pudesse escolher um, eu escolheria Aline. Não quero justificar demais. Apenas dizer que ela é inteligente e tem muito coração.